
E como avisar ou alertar não ofende quem não prevarica, é oportuno deixar claro que crescem os sinais no Algarve de que, aqui e ali, há opinião organizada e informação calculada por consabidos funcionários públicos arvorados em jornalistas nas horas vagas; há meios que sobrevivem a troco de financiamento indirecto a pretexto de duvidosos propósitos ou finalidades de instrução pública que é saia larga; há apoios sem justificação aparente veiculados naquela cor que os camaleões da publicidade indirecta ganham conforme onde estão, e há também benesses de excepção que vão desde o salário de prestígio social aos chamados arranjinhos discretos e dobradinhos na gaveta entre as dobras do lençol. É por isso que, no exemplo mais palpável, alguns jornais se queixam de não obter das autarquias, em circunstâncias de igualdade, as informações que outros conseguem com privilégio a troco de parcialidade, de exercícios acríticos, de tácitas garantias de omissão, tudo isto em nome da Liberdade de Imprensa.
Claro que não é tudo assim, não sendo ainda caso para se dizer que sobram umas excepções honrosas. Há sinais. Mas é bom que aqueles que prevaricam saibam que há quem esteja atento e que numa Democracia, nesta, a nossa por exemplo, não há lugar para a delação (isto é coisa para os do antigamente, seus filhos e já netos que bem conheço) mas há lugar para o uso dos mecanismos adequados para que não volte o pior.
Carlos Albino
- Flagrante sugestão: Os jornais e rádios locais e regionais do Algarve com a consciência em paz, meia dúzia que sejam, deviam esquecer questiúnculas e organizarem jornadas anuais sobre o estado da informação local e regional. Não por interesses ou critérios corporativos, mas por estrita responsabilidade democrática.
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