
Vem isto a propósito de um daqueles casos que não fazem notícia nos jornais, mas repete-se. Determinada pessoa pretendeu abrir uma pequena e modesta casa de venda de pão. Alugou casa, fez obras na conformidade da lei, dirigiu-se aos serviços municipais para obter o licenciamento. Para uma simples padaria, os ditos serviços, passados oito meses, não tinham ainda elaborado o parecer necessário para a decisão… Claro que a dita pessoa desesperou, denunciou o contrato de arrendamento, perdeu tudo o que investiu, desistiu, nem quer ouvir falar dos serviços técnicos municipais da sua autarquia. Oito meses sem um não, sem um sim, sem uma resposta qualquer, é de facto demais. Não se trata de um PIN, de uma grande superfície, de uma urbanização de enchido e cozido, tratava-se apenas de uma pequena casa para venda de pão, portanto coisa pouco para comover tecnicamente os serviços técnicos que assim procedem confiados que o anonimato os protege das consequências da lassidão e que a arraia miúda não os põe em sentido como alguma Sua Excelência os poderá pôr. O caso não é geral, mas repete-se e é assim que, aqui e ali, os «técnicos» vão tutelando a política quando querem e quando lhes apetece gozar o prato.
Carlos Albino
- Flagrante dificuldade: O prémio SMS de Jornalismo que não é de atribuir por atribuir, relativamente a 2008 que passou, não é atribuído – a crise também passa por aí.
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