
A Justiça portuguesa que amiúde invoca não ter meios e recursos para fazer justiça, o que é verdade, também amiúde perde razão e motivos, ou porque nuns casos é permissiva para não dizer subserviente face a circunstâncias difusas , ou porque noutros casos - como o de Olhão - é arrogante, insensível face a claras circunstâncias e desumana. Por vezes, os juízes - sobretudo os mais jovens e iniciados na arte de decidir a coberto da toga - contribuem para essa perda de razão da Justiça, por uma questão de currículo e de singrar na carreira, e, também, porque facilmente se distraem no caravanismo judicial com saltitam de terra para terra. No caso de Olhão, não será isso - nem o pobre homem acamado é um poderoso da imobiliária e nem a decisão ajudará muito a escalada profissional da juíza - aliás não ajuda mesmo nada, se a próxima inspecção funcionar, porque nem sempre funciona. O caso de Olhão é um caso pura e simplesmente de direitos humanos, melhor dizendo - de direito humanitário, assunto que a juíza, se não aprendeu, deveria aprender com urgência.
É claro que, para que se chegue ao vergonhoso cúmulo da justiça de Olhão, as responsabilidades pela degradação da noção de Justiça devem ser partilhadas obviamente por mais gente e que poderosa gente! Mas esta é outra conversa e sobre o exercício da advocacia no Algarve, algum dia, haveremos de falar. Não vamos aqui numa única SMS tratar de tudo ao mesmo tempo em moldes que, na prática, descaracterizem esta pena que escreve e as suas finalidades...
Carlos Albino
Sem comentários:
Enviar um comentário