
Ora, uma cooperação aprofundada, um diálogo consistente e uma afirmação consolidada deste verdadeiro arco mediterrânico não é coisa que caia do céu. Até há pouco tempo, o Algarve poderia queixar-se de não ter um instrumento institucional, mínimo que fosse, para encetar caminho e falar para os andaluzes e com os andaluzes. Agora tem. Tem esse mínimo que se chama Junta Metropolitana a que se exige mais do que olhar para o umbigo, ficando à espera do trem e do sábado que vem. Uma liderança regional não se constrói por decreto e até será desejável que não dependa de decreto, mas sim da sua capacidade de rasgar horizontes, de abrir o Algarve para lá das duas fronteiras que o empalham – a fronteira do Alentejo que está a transformar a Província numa venenosa Costa da Caparica e a fronteira da Andaluzia que, vencida – como poderia e deveria ser vencida – poderia dar à Província um bilhete de identidade menos condicionado pelas mentalidades provincianas que imperam tortas.
Devemos então dizer a Macário Correia que se desejar um hino para o Algarve, aí está o melhor hino – entoar um diálogo bem cantado com Manuel Chaves, o Presidente da Junta da Andaluzia. E se desejar uma bandeira, aí está a mais bondosa bandeira – uma cooperação que mobilize e movimente o melhor que entre os dois lados pode cooperar. O Algarve não tem governo como os andaluzes, não tem parlamento como o que se reúne em Sevilha presidido por Mar Moreno, mas ao menos poderia e deveria para já, convidar Manuel Chaves e Mar Moreno para, aí em algum auditório sem pretensões a capital em falsete da cultura, nos explicar o que Andaluzia pensa de si própria e do Algarve… Não vou ensinar o padre nosso ao santo cura.
Carlos Albino
Sem comentários:
Enviar um comentário