quinta-feira, 18 de junho de 2009

SMS 318. Tristeza e mau presságio



18 Junho 2009

As eleições para a Europa foram uma tristeza. O debate político foi paupérrimo e até deprimente, na sua grande maioria os candidatos tiveram tudo menos de europeus e não passaram de uns sorridentes provincianos com cara de paraíso garantido, muitos dos eleitores conscientes do que está em jogo neste Velho Continente ficaram atónitos e os restantes nem se aperceberam de que esteja alguma coisa em jogo. E como se previa, o Algarve que não teve um único candidato em lugar seguramente elegível em qualquer das listas, passou ao largo ou limitou-se a ver as alegres caravanas passar. O resultado é o que está à vista e, embora seja saudável cultivar o optimismo, não é de rejeitar a ideia de que estas eleições para a Europa, em vez de terem funcionado como alavancas para as legislativas e autárquicas, foram as primeiras que deixaram um sinal de profunda descrença na forma como os partidos usam o sistema de escolha colectiva. Oxalá que assim não seja, mas é aconselhável não assobiar para o lado.

Aliás, o Algarve não teve um candidato europeu que se impusesse nos jogos internos dos partidos porque também não tem líderes regionais com projecto na cabeça, plano nas mãos e força nos pés – o Algarve não tem líderes regionais, tem apenas funcionários regionais, zelosos e ciosos é certo, mas que por serem funcionários apenas funcionam como os mandam funcionar. E não tem líderes porque também não há contributos para uma ideia estruturada, não existe um debate sustentado e de finalidade digna, não há ânimo que desinteressadamente trace a rota do bem comum – o que não se consegue por decreto, por nascente da terra ou lembrança divina… Há na verdade militantes que se transformarem em profissionais da política e políticos que se treinaram nas técnicas de sobrevivência dentro dos partidos, a que se acrescenta uns poucos cuja reclamada independência dos partidos mais não é do que ressaibo trajado de movimento de cidadania. Estas espécies jamais evoluem para líderes.

Estas eleições europeias foram uma tristeza, e para o Algarve foram um mau presságio.

Carlos Albino
      Flagrante evidência: A regra do vale-tudo já começou para as autárquicas.

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