
O governo, melhor, alguns membros deste governo ainda não perceberam (perceberam, fingem é que estão despercebidos) que o facto de governarem suportados por maioria absoluta, não lhes dá legitimidade para serem absolutistas... Sim, para governarem como se fossem pequenos reis iluminados, cheios de algum direito divino, prescindindo pois da audiência pedida e da obrigatoriedade democrática da audição. Numa democracia, nada pior do que isto, sendo isto pior do que a arruaça – a arruaça ouve-se mas o absolutismo de gabinete é silencioso e quase sempre mata sem ai nem ui como espetar sabre no rim. Fazer isto é desvirtuar a democracia. É fugir ao escrutínio público por mais que se simule aparecer em público por via da televisão que se converteu na mais recente escrava da corte, ao mesmo tempo bôba da corte.
Eduardo Cabrita quer extinguir a freguesia de São Brás de Alportel? Então porque não consultou previamente a Câmara, porque não ouviu as populações? Também engoliu o garfo?
Mexer na indefesa organização administrativa do pobre Algarve Interior terá que ser feito assim, a traço de esquadro sobre o mapa das conveniências orçamentais, tal como a Conferência de Berlim desenhou a África?
Carlos Albino
PS: Já agora, fiz umas contas que as Estatísticas da Europa devem ponderar muito a sério – se o Algarve tivesse apenas dois habitantes, o Senhor André Jordan e eu, o rendimento per capite seria o que nem imaginam nem eu sei, mas que o Senhor Jordan sabe.
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