quinta-feira, 17 de maio de 2012

SMS 462. Tenhamos esperança. Mas como?

17 maio 2012

Razões e motivos para vermos tudo negro, não faltam por todo o lado e em todos os cantos.   As poucas coisas que ainda nos salvam ainda são alguns jardins verdes, as ruas relativamente varridas além de que ainda não se formaram duas enormes filas de pobres esfarrapados e descalços às portas das igrejas a entoarem de mão estendida “dê um tostanito, que Deus lhe pague”, que era o que se ouvia nos anos 50 e 60 e que das poucas coisas que a ditadura não conseguiu proibir que os pobres dissessem em voz alta. Mas não estaremos longe desse cenário se nada for feito para as pessoas e, à semelhança da Índia mais atrasada, se transformar a nossa sociedade em duas castas – a casta dos gestores e a casta dos geridos, como as revistas ditas sociais já vão dando conta e pelos vistos com o apoio dos desgraçados ou perto disso. Todos sentem que cidades e vilas estão em decadência, que a partir das 20 horas parece haver um apagão em todas as ruas, que todas as horas são horas de ladrões e bandidos, e que o medo ocupa o quarto de hóspedes em todas as casas porque ninguém se sente seguro como o órgão oficial do crime diária e acriticamente vai dando conta como se fosse um relato da bola, e pelos vistos para gáudio dos criminosos que assim podem avaliar a gratuita repercussão dos seus feitos.

É claro que é urgente, é preciso uma palavra de esperança. Essa palavra só pode partir das instituições e é até obrigatório que parta delas e, à cabeça, das instituições políticas. E no Algarve, como região cultural (não é mais que isso e cada vez menos é isso), aí é que a porca torce o rabo. Localmente há instituições, boas ou más, eleitas ou não, mas há (câmaras, misericórdias, postos da GNR, grupos de teatro amador, etc...) mas a nível de Algarve que instituições há que possam dar uma palavra de esperança e se lhes exija isso?  Há algumas, com certeza mas fora do terreno político (a universidade, por exemplo) e será aconselhável que não as liquidem como aconteceu com o Governo Civil extinto e, para o que era, bem extinto, mas sem nada que lhe viesse a ocupar a função de cabeça ou guia da região, independentemente do que a lei lhe atribuía. O erro do governo não foi em extinguir mas em não ter recolocado em algum lado o papel da única instituição a quem regionalmente se exigiria uma palavra de esperança nas horas que passam. Além do governo, quando desce ao Algarve, não ser capaz de uma palavra de esperança sólida e não dessa pomada populista, cortou o que ainda assim fingia ser a boca da região. Mais grave, cortou essa veleidade da região ter boca, uma simples boca que gargantas há muitas mas são absolutamente dispensáveis.

Carlos Albino
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Flagrante harakiri: Com a informação algarvia generalizadamente em crise, a concorrência desleal e os ataques sórdidos, traduzindo para japonês, significam literalmente "cortar a própria barriga" mas, no caso, sem honra.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

SMS 461. Lições daqui, dali e dalém

10 maio 2012

Pelo que acaba de acontecer em França, pelo que quase pela certa se aproxima na Alemanha, pelas voltas que a Itália e a Espanha deram mais as que se prevêem (não fica por ali), vendo com serenidade as reviravoltas na Grécia, e avaliando também estes últimos anos dos nossos concidadãos portugueses que são como de costume (o dito pelo não dito, a manha, a grande sinceridade no circunstancial e silêncio fúnebre quanto ao essencial – o que é típico dos aldrabões sorridentes), vem a propósito o que Thomas Jefferson, o terceiro presidente dos Estados Unidos, disse: “Um homem honesto não sente prazer no exercício do poder sobre os seus iguais”. Seja ele Presidente da República, Primeiro-Ministro ou chefe de autarquia, os mandatos  são missões a que alguns cidadãos se submetem muitas vezes a contragosto e em prejuízo das suas atividades privadas. Não são eleitos para serem reis temporários e quando deixam o comando da República, do governo ou da terrinha, voltam a ser cidadãos comuns, ou seja, são promovidos a povo. E assim sendo, estando nos comandos, não merecem mais consideração que um cidadão comum. Merecem consideração e ponto final, pelo que é inútil a qualquer deles convencer-se de que é “líder”, ou “guia”, enfim alguém pré-destinado e superior aos cidadãos comuns. A conquista do poder, seja este o poder nacional ou o poder local, não confere ao homem que a isso ascende, se é honesto, o estatuto de iluminado, passeando-se com prazer e permitindo-se rasgar promessas com as quais foi eleito e a pôr de lado compromissos com os quais levou os seus concidadãos, pelo voto, à crença de uma sociedade mais justa e de procedimentos mais limpos. A ausência de tais reis temporários é o principal fundamento de uma República e a coerência entre palavras e atos é o principal pilar do sistema democrático, pelo que um eleito, a partir do momento em que é eleito torna-se num servo do povo, devendo obediência aos cidadãos. E é isto que tem sido posto de lado aqui, ali e além, por alguns que, quer a nível nacional quer a nível local, têm reduzido a conquista do poder, qualquer que seja o nível de poder, a mero resultado de operações de marketing e de propaganda ululante, quando não de embuste público, numa total contradição com o que uma República é, e, pondo em crise o que um sistema democrático deve ser, decretam pelo prazer e pela conveniência de interesses difusos contra os quais não levantam um dedo.

Carlos Albino
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Flagrante copo: A propósito da iniciativa “Vinhos do Algarve em Lisboa” ( Sala Ogival da ViniPortugal no Terreiro do Paço, 18 e 19 de Maio), um ditado que assenta bem: mais vale um copo de vinho que 100 verdades… Excelente iniciativa a sugerir que numa mesa do Algarve, haja vinho do Algarve.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

SMS 460. Protagonismos e pouco mais

3 maio 2012

Sim, inteiramente de acordo quanto a listas únicas nas autarquias. Não se entende que uma dada força política possa concorrer à assembleia municipal e não tenha que disputar a câmara. Se não pode concorrer por impossibilidade de formar lista, o que fará tal força na assembleia a não ser um exercício de espírito de contradição ou de pacto com a força que mais convirá ao interesse? E se não quer concorrer à câmara, porque é que concorre apenas à assembleia a não ser por birra, por ânsia de protagonismo ou para afirmação de algum interesse escondido? E, um a força ou um partido, concorrendo a câmara e assembleia, para quê em listas separadas, cada qual com sua cabeça de lista, podendo acontecer, como já aconteceu, que um cabeça de lista do mesmo partido da outra cabeça possa fazer campanha contra o correlegionário?

Caso vinguem as listas únicas para câmaras e assembleias, só há que lamentar que o modelo chegue tarde à democracia local. As forças cívicas organizadas, caso não queiram alinhar ou integrar-se em partidos e relativamente a estes reclamem independência, não podem nem devem contribuir para que a discussão política e o escrutínio do poder local se transforme num mero espetáculo de bota abaixo ou de encómios de arreata por via de atores independentes que tantas vezes representam o que não sabem nem querem saber e que de independência não têm nada e que andam por aí a negociar o seu papel de empecilhos quando não empecilhos perversos. Um movimento cívico, se quer fazer civismo, não precisa de veranear numa assembleia municipal a fingir de partido ou como se fosse partido. Se o movimento cívico quer mesmo fazer política, para o que terá toda a legitimidade, deve ser consequente e concorrer simultaneamente ao lugar onde a política local se executa – a câmara – e ao lugar onde as regras são votadas e as decisões escrutinadas – a assembleia. Um movimento cívico não pode ser um movimento de ressabiados, como por regra tem sido na prática, pelo que a democracia local não pode estimular o ressaibo. Pelo contrário, deve retirar estímulo a tais atitudes de parasitarismo do poder. E tal como não se justifica que a uma força que não concorra à câmara lhe seja facultada a possibilidade de um lugar na assembleia, assim também não se justifica que candidatos vencidos, sejam eles provenientes de partidos ou de movimentos, fiquem nesse triste papel de vereadores sem pelouro que é o equivalente ao papel do morto na missa de corpo presente e que, por ser morto, obviamente se abstém em tudo e, pior, se revela incapaz de confidenciar aos vivos onde tem a alma... Um vereador da oposição, o que é isso? Quem ficou na oposição deve assumir o lugar de oposição que a assembleia lhe reserva.

Carlos Albino
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Flagrante lei natural: Ensina a mãe-natureza que jamais um burro se pode licenciar em cavalo e que jamais um cavalo pode evoluir para mestre-burro.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

SMS 459. Saltitões

26 abril 2012

Para as eleições autárquicas, o quadro está quase desenhado: a limitação de mandatos vingou e resta agora saber se haverá listas únicas, ou se, como até aqui, listas separadas para câmaras e assembleias. Quanto à limitação de mandatos, se são razoavelmente compreensíveis as invocadas razões de prevenção ética, já não se compreende tão bem que essa limitação seja em função do território e não da pessoa. Um presidente de câmara deve ser, pelo senso comum, um conceituado da terra, sendo eleito pelo “conceito” que os eleitores locais têm dele, pelo que nem sempre é a bandeira do partido que conta, contando mais o perfil moral e de competência. Se um partido, grande ou pequeno, tem a sorte de contar com um candidato conceituado rodeado de um grupo também conceituado, é meio caminho andado, e a propaganda até será coisa secundária como para os sabonetes em que vale mais o cheiro que a eficácia. Se o candidato for conceituado, a propaganda não passa de festa dispendiosa e desnecessária na sua parte de feira de enganos. O que já não compreende é que um conceituado numa terra, impedido de se recandidatar por força da tal prevenção ética, possa continuar ou fazer carreira na terra ao lado, sabendo-se que os grupos de pressão que eventualmente contaminem a ética política ou que esse pessoal que não olha a meios para atingir fins, não está confinado aos territórios concelhios – tanto podem comprar a alma de um político na terra que naturalmente o elegeu com a podem comprar na terra contígua, onde, por vezes, até mais lhes convirá comprar a confiança de quem decide. E é assim que a lei sobre a limitação de mandatos, arrancando de uma boa intenção, pode vir a produzir diversos efeitos perversos. De um de tais efeitos perversos já não se livra – o de provocar uma nova figura de presidentes de câmara, a dos presidentes itinerantes ou saltitões. Para quê ou porquê a itinerância e o salto de uma terra para a outra? Apenas porque a lista de mordomias do partido não faculta um salto maior, seja para deputado, presidente disto ou diretor regional daquilo? Ou será que um indubitável conceituado numa terra se julga salvador do mundo e que, não podendo salvar o mundo todo, tendo salvado já uma terra - a sua terra -, se sente impelido à cruzada de salvar a terra contígua, fiado em que o santo vindo de fora é tido sempre como um salvador que faz milagres? Ou, mais elementar do que isso mas sem dúvida mais pernicioso, caso a presidência de câmara, como tudo leva a crer, se converter numa carreira de comissões eletivas de serviço em que o pudor, como nos juízes, obriga à conveniência de mudar de comarca, não quererá isso dizer que, afinal, o conceituado numa terra de origem mais não é mais do que capataz em potência na terra de arribação? Dos capatazes, fora da construção civil, não se tem bom conceito.

Sobre as listas, únicas ou separadas, fica para a semana.

Carlos Albino
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Flagrante advertência: Na hora de escolha dos nomes, cuidado com Isaltinos em potência, com Jardins à escala, e com os presunçosos da inocência. 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

SMS 458. Retrato negro que não surpreende

19 abril 2012

Enfim, foi publicado o Índice Global de Desenvolvimento Regional em que o Algarve surge com um retrato negro. Os dados são de 2009 e, pelo que se sente à volta, a evolução foi certamente para pior. Uma região cujo desenvolvimento foi deixado ao acaso, entre o oportunismo desmedido e a improvisação enganosa, tinha que resultar nisso. O Estado não cumpriu o que devia ter cumprido – antes pelo contrário, tolerou que as formigas brancas se multiplicassem nos forros escondidos da burocracia, nem permitiu que a região se auto-responsabilizasse ou iniciasse sequer um aprendizado de escrutínio. E foi assim que muitos reinaram que se fartaram, eclipsando-se quando as coisas começaram a dar para o torto, deixando a região na penúria com as câmaras a fazerem contas com o impossível, com o índice de desemprego mais elevado do país, sem pescas, sem agricultura que se diga como tal, e totalmente dependente de um turismo a funcionar como lotaria ou jogo de sorte, cada vez mais a perder competitividade e que, operando na região, não tem rosto na região e muito menos carteira e coração. E, pior que tudo, tem estado a região desprovida de instituições que a poderiam orientar para a maioridade e, uma ou outra que tem não passa de verbo-de-encher, fazendo das tripas coração para sobrevivência. O Estado, que não permitiu até hoje uma réstia de regionalização, é por atos e omissões o primeiro grande responsável pela situação a que o Algarve chegou e talvez seja por isso que os rostos visíveis do Estado também fogem disto, não aguentando enfrentar os que tendo nascido ou vindo para aqui, vivendo e trabalhando aqui, sofrem as consequências dos erros e dos abusos sem nada terem podido fazer para os evitar.

Os dados do INE não surpreendem em nada quem tem estado atento à forma como a região tem sido tratada e como a si própria se tem tratado. É preciso ter andado ou andar muito distraído para esperar que apenas uns números de 2009, já largamente ultrapassados, lançassem alertas sobre a competitividade da região, sobre o panorama da coesão e sobre a qualidade ambiental. Avisos não faltaram, mas ou foram recebidos com desdém por quem os devia ter levado em conta, ou foram atirados para o cesto dos papéis por quem devia representar a região pela força do mandato e não em função de mera carreira pessoal.  Os visados não gostam, mas é assim.

Carlos Albino
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Flagrante prova: As portagens na Via do Infante tiveram, até hoje, uma grande vantagem – a de tornar evidente a quantidade e qualidade dos vira-casacas.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

SMS 457. Tratados com os pés

12 abril 2012

Deixemo-nos de complicações. Nas auto-estradas concessionadas com portagens há a obrigação mínima de pré-sinalização dos custos, antes de se entrar no troço, para que o utilizador possa optar por alternativas e estas mesmas alternativas devem estar igualmente pré-sinalizadas com clareza. O utilizador tem o direito de saber e conhecer, através de tal sinalização, que está a entrar numa via paga ou que se vai colocar na linha de radar ou que se vai sujeitar à cobrança eletrónica. Isso não acontece para quem entre na Via do Infante. Por exemplo, quem venha de Lisboa para o Algarve pela A1 e, após o pórtico de Paderne, queira optar pela 125 rumo a Faro, não encontra qualquer sinalização do trajeto alternativo. Mais grave, é induzido em erro. Para se dirigir a Faro pela 125, não deve seguir a placa de Faro para nascente mas a de Albufeira/Portimão para poente… Só quem sabe é que dá essa volta para entrar na 125 porque quem não sabe, segue a placa e sujeita-se à cobrança eletrónica sem alternativa. O dever legal de informar o utilizador e que corresponde a um direito deste, não está a ser cumprido. O utilizador é tratado como um objeto, tratado com os pés. Esta não é uma questão de consideração pelo utilizador, é um incumprimento e, no exemplo dado, um caso de engano do utilizador. Creio que se o dever legal de informar com clareza não está a ser cumprido, também não haverá a obrigação de pagar sendo enganado e se os casos de recusa de pagamento por falta de informação de quem a deve prestar subirem aos tribunais, divido que haja juiz que condene porque a lei é só uma para quem cobra e para quem é cobrado.

O ministro Álvaro Santos Pereira que, em última análise gere esta brincadeira, com todos os seus anos de Canadá, deve certamente saber que nesse país um ministro que tutele os transportes, se por acaso é apanhado a circular a mais de 110 milhas, ele não tem outra alternativa que não seja a de se demitir por essa simples infração, como aconteceu. Os canadianos não admitiriam um ministro seu a não cumprir a lei, como não admitiriam pagar portagens sem informação prévia e atempada para escolha de trajeto alternativo, escolha essa que é um direito do utilizador. Mas, segundo parece, as boas lições que o Canadá dá, e são muitas, são rapidamente esquecidas por quem chega aos cadeirões da chafarica e, em vez de tratar os utilizadores com consideração, os trata com os pés enquanto expõe geniais teorias sobre o pastel de nata. Assim, não admira nada o quem acontece na fronteira com os turistas que vem na mesma linha da forma como são tratados à chegada no aeroporto de Faro. Tratados com os pés. O ministro deve ler jornais e, se não lê, tem seguramente um regimento de assessores que lhe fazem a síntese dos recortes pelo que escusa de culpar subalternos. Geriu mal e está a gerir mal este assunto e, fosse ele ministro canadiano, não aguentaria um dia. Só que em Portugal é diferente, aguenta-se uma eternidade desde que se tenha um rei na barriga, que é o que mais há por aí de alto a baixo. Deixemo-nos de complicações porque sabemos o que a casa gasta.

Carlos Albino
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Flagrante solução: Desculpe António Pina, mas bem pode colocar a nau Boa Esperança na prospeção de gás e petróleo. Não há melhor do que aquilo  para fazer um furo.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

SMS 456. Que símbolo tem a região?

5 abril 2012

Símbolo político, claro, não falemos de outros símbolos que não se percebe muito bem a razão porque caíram em desuso a troco de uma chaminé da Mealhada. Quando havia governador civil, o símbolo era esse muito embora sem peso e correspondendo a uma figura faz de conta. Agora nem isso há. A AMAL não deixou de ser uma corporação de municípios – grémio, se a sua maioria está em sintonia com o governo, sindicato se eventualmente ganha a cor da oposição. Além disso, vai sendo o que os decretos de Lisboa determinam:  nascida em 1992 como associação, convencida como Grande Área Metropolitana em 2004  e convertida em Comunidade Intermunicipal em 2008. Conforme o governo, assim a AMAL belisca ou vai na procissão, e quer nos beliscões ou na procissão, não lhe tem custado nada dar o dito pelo não dito, consoante a conveniência. Não é símbolo político do Algarve porque também não conduz ao reconhecimento do que é o Algarve e do que o Algarve possa sentir. Quando muito é um caleidoscópio de autarquias, agita-se e as cores são sempre as mesmas embora as figuras geométricas sejam diferentes em função das eleições autárquicas ou legislativas. Fora disso, há a Comissão que, como comissão que é, é dirigida por um comissário e não mais que isso. Longe também de ser um símbolo de poder político, poder no sentido de voz com força moral e que se faça ouvir em Lisboa quando for necessário e justificável ou que os algarvios reclamem. É claro também que temos por aí uma direções regionais que apenas são notadas nos dias de festa pela frota de carros estacionados ou nos dias de trabalho pela aplicação de medidas, pela distribuição de subsídios e compensações cada vez menos e por uns pareceres que ora parecem ora desaparecem. Tomara estas terem funcionários zelosos porque a sua função não é a de serem símbolos políticos. Restam os deputados de quem já muito temos falado, os quais, salvo honrosas exceções, tomara eles também usufruírem dos prazeres da legislatura. Ou condicionados pela disciplina partidária, ou tolhidos pela agenda igualmente partidária, no seu todo não se lhes nota que sejam a voz plural da região, com tal autoridade no fórum parlamentar que, antes de abrirem a boca. se ouça nas bancadas -  “Atenção ao assunto que é o deputado do Algarve que vai falar!”

Carlos Albino
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Flagrante conveniência: A da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL) tirar isso a limpo e rapidamente, porque é a imagem da região que está em causa. É um espetáculo nada digno.

quinta-feira, 29 de março de 2012

SMS 455. Aeroporto, está à vista

29 março 2012

É tema de reportagem junto de passageiros à partida e à chegada, de funcionários e dos responsáveis pelas obras, será até assunto a justificar entrevista (entrevista, e não questionário subserviente) com quem gere o aeroporto, e num pequeno apontamento como este apenas se pode dizer que aquilo está mal, está mesmo muito mal. É verdade que à chegada, o passageiro pode ler que há obras por ato da natureza e que se pede desculpa pelo incómodo, mas isso não basta. Também é verdade que foi garantido, há dias, que as obras terminarão no final de abril, mas a avaliar aquele estendal é difícil aceitar que um mês basta. Faltam indicações úteis e práticas, o túnel não é um túnel de passageiros – é um túnel de despejo, os trajetos para quem vai esperar ou para quem chega não estão devidamente assinalados, escasseia o atendimento, são centenas de metros entre o carro estacionado em parque pago e o local de chegada que a generalidade tem de adivinhar, a polícia gere carros com motoristas às voltas e peões a arrastar malas serpenteando por entre o pessoal das agências com tabuletas que dão àquilo um ar de mercado de ciganos e, vá, lá que o tempo está seco, não há lama e os guarda-chuvas não complicam. Mas, enfim, tudo isto se compreenderia e os transtornos seriam suportados com paciência, caso se notasse da parte de quem gere o aeroporto uma consideração nas coisas essenciais pelos passageiros que nos acabam de visitar ou que começam a visita, e por quem por eles espera ou se despede. É do género “amanhem-se”. Essa porta fundamental do Algarve está em obras mas, mesmo em obras, devia ter dignidade, ostentar respeito e cultura de acolhimento que é uma coisa que se nota logo em qualquer canto que seja. Isto, ali, não há. Amanhem-se. Ora quando essa cultura de acolhimento falta, a culpa não é do vento que Zéfiro intencionalmente dirigiu em fúria contra a parte nascente do aeroporto, nem culpa é dos materiais usados na construção e que não devem ter andado longe dos usados para a Arca de Noé. Quando a cultura do amanhem-se, ela sim, é um ato da natureza, estamos conversados e não há que pedir desculpas. Sabe-se do que a casa gasta, sendo triste que a porta do Algarve não seja varrida o que dói a quem gostaria de ver a porta asseada, ainda que num asseio de obras ou em obras asseadas.

Carlos Albino
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1 - Flagrante constatação: E foi assim que conseguiram que Faro seja a única capital de distrito que não tem um jornal local próprio.2 - Flagrante resistência: A deste Jornal do Algarve que venceu mais um ano e oxalá vença muitos mais com a chama fundadora do saudoso José Barão. Parabéns!



quinta-feira, 22 de março de 2012

SMS 454. Contas furadas

22 março 2012

O temor é que o turismo morra selvagem como selvagem nasceu e cresceu. As Canárias bateram em 2011 o record de visitantes explicadamente pelo desvio de turistas do Magreb devido à instabilidade política. No ano passado as Canárias receberam cerca de dez milhões e meio de estrangeiros, face aos 8,5 milhões do ano anterior, o que traduz um aumento de 20 por cento, com a Alemanha a surgir como o principal mercado. Já quanto ao Algarve, como se sabe, perdeu quotas de mercado e viu as expetativas e resultados desceram a um ponto tal que os números do desemprego já não podem mascarar a realidade. Associada ao tombo, o turismo algarvio anda por esse mundo afora com a imagem da insegurança (quem não sabe disso?), da incultura nas relações humanas (o episódio do aeroporto de Faro correu mundo) e do desrespeito ambiental, rebenta um ETAR e tudo pela calada, nunca há uma explicação para a imundície). Ou seja, o Algarve em vez de atrair, afugentou; e em vez de receber bem quem já cá chegou, tratou com pés. Todos nos recordamos das contas que alguns responsáveis fizeram em 2009 quando o Norte de África foi ao rubro, mas foram contas furadas. Um turismo sem competitividade, sem promoção externa e interna adequada, com a irresponsabilidade e o oportunismo a campear nos departamentos públicos, com o provincianismo balofo a ser sistematicamente eleito para câmaras e juntas de freguesia (com especuladores a subirem as curtas escadarias daquelas almas), e sem estrutura cultural pensada com golpe de asa, peso e medida, naturalmente que o Algarve não podia ter conseguido o que as Canárias conseguiram. Antes pelo contrário, só podia ter regredido, os resultados estão à vista e não são explicáveis apenas pela crise – também se explicam pelo lado selvagem que marcou o turismo algarvio logo à nascença, com qual marca cresceu e se exibe sem se aperceber das causas pelas quais o terreno lhe foge debaixo dos pés.

Carlos Albino
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Flagrante advertência: Preparemo-nos para o pior porque a realidade aponta para isso.

quinta-feira, 15 de março de 2012

SMS 453. Duas coisas do mar

15 março 2012

Duas coisas do mar que nos dizem respeito: petróleo e tesouros.

Quanto ao petróleo, é mesmo inacreditável que o governo tenha assinado mais dois contratos para a concessão de direitos de prospecção, pesquisa, desenvolvimento e produção de petróleo ou gás natural (o que se encontrar) na costa sul do no mar algarvio, a juntar a outro na costa oeste, sem cautelas e sem salvaguardas.  Para qualquer coisita em terra, é o estudo de impacte ambiental, é a consulta pública, é o parecer a juntar a outro parecer, é a avaliação do custo/benefício, é o quadro de indemnizações devidas por eventuais prejuízos, e, sobretudo quando entra o Estado, são as cláusulas de salvaguarda, são as contrapartidas financeiras. No caso do petróleo, ou com a capa do gás natural, é o próprio Estado a escapar-se como safio às obrigações que impõe para as coisitas onde mal a costa apresente terra para arquitetos.  Como é que um governo decide uma coisa dessas e dá de barato, sem ponderar o Turismo e a Pesca, afetando a costa algarvia? Admite-se que a decisão pudesse que ter sido tomada, mas em termos, com condições e medida. Assim, sem a mínima consideração pela população e pelos interesses da Região, é como que andar à deriva, hipotecando o futuro, que é a pior ou a mais perigosa das hipotecas.

Quanto a tesouros, referimo-nos naturalmente ao recente desfecho do tesouro da "Nuestra Señora de las Mercedes", achado pela empresa de caçadores de tesouros norte-americana, a Odyssey Explorer, a 21 milhas em plena Zona Económica Exclusiva da costa algarvia e devolvido dos EUA a Espanha por ordem dos tribunais. Segundo se diz, tesouro avaliado em 500 milhões de euros e que, ao longo de anos e anos, motivou cenas de filme de espionagem entre uma dúzia de empresas de caçadores do mesmo género à mistura com propósitos científicos, à frente dos olhos da Marinha, do IGESPAR e também dos mirones de Vilamoura. Pois bem! Portugal não reclamou nada de um achado na sua ZEE, apesar das duas convenções internacionais de que é parte e que são bem claras nessa matéria. Aquela gente andou por aqui como se isto fosse terra e mar de ninguém, fizeram o trabalhinho todo naquele segredo que é a alma do negócio (ou então com discretos entendimentos com alguns civilizados indígenas, nunca se sabe), discutiram lá fora a posse do espólio como se o Algarve fosse o Kiribati ou o Tuvalu, e Portugal nem antes, nem no momento reclamou, e muito menos protestou depois, por algo que anda próximo da pilhagem se não é mesmo pilhagem. É inacreditável esta gestão do património histórico e arqueológico marítimo. Por decência, deveriam ser chamados os responsáveis todos e perguntando se foi lassidão, falta de meios, ingénuo desconhecimento a tender para a imputabilidade, ou conivência calculada apesar de tanto perito (um, por acaso, até se meteu com alertas aqui lançados no Jornal do Algarve em 1998!), ou se foi acordo de cavalheiros para, pelo menos uma moeda de ouro e outra de prata para amostra no museu arqueológico de Faro. E isso soube-se pela disputa em tribunal nos EUA, porque se não tivesse havido disputa judicial pela posse do espólio, cada caçador seria o que sempre foi: o último a rir.

Carlos Albino
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Flagrante fase: Tivemos Mendes Bota I, seguiu-se Mendes Bota II e agora Mendes Bota III – experiente, calejado, com iniciativas algumas de grande fôlego como no Conselho da Europa) e exercícios críticos cada vez mais sem a canga partidária. Outros deviam tomá-lo por exemplo. Sobretudo os que não passaram da fase II.

quinta-feira, 8 de março de 2012

SMS 442. Que fique tudo preto no branco

8 março 2012

Há uns bons tempos, o PSD algarvio exigiu, e bem, que tanto os candidatos a cargos públicos como os nomeados, apresentassem os seus currículos suficientemente claros. Por onde e quando andaram, onde trabalharam, enfim, o valor e o reconhecimento que têm, as provas que podem ostentar para merecer a confiança dos cidadãos e dos contribuintes. Quando essa exigência foi apresentada, aqui se aplaudiu pois em matéria de cargos públicos, a democracia exige que fique tudo preto no branco, e nisto os partidos são particularmente responsáveis pois os partidos não podem nem devem servir como expedientes para subir na vida sem provas e muito menos para branquear passados ou para dourar a pílula. Assim é por esse mundo afora que se reclama de civilizado onde para oi exercício de cargos públicos se exige acima dos graus académicos formais, sobretudo competência e vida limpa. Por vezes até pode haver competência mas a vida pode ser não ser limpa e noutras vezes a vida pode ser limpa mas não há provas de competência, provas tais que só podem vir da experiência profissional passada. Para isso servem os currículos. Ninguém deveria ser nomeado ou colocar-se em posição suscetível de ser candidato a funções públicas (como é o caso dos presuntivos candidatos a presidências de câmaras municipais) sem apresentação de currículos rigorosos, verdadeiros, sem omissões. Quem não deve não teme.

O facto de se ganhar o poder interno num partido não é suficiente ou não deveria ser suficiente para que esse mesmo partido imponha um candidato tendencialmente beneficiário da lógica previsível dos votos do eleitorado geral. Daí que, na disputa interna de poder nos partidos, essa exigência de apresentação de currículos verdadeiros e sem omissões deveria estar na primeira linha. Não é o facto de uma pessoa ser vista todos os dias ou até ser vizinho que dispensa a apresentação de provas de vida competente e limpa. Ninguém tem que se meter na vida privada dos outros mas quando alguém se posiciona ou é endossado para funções públicas, o caso muda de figura e as provas têm que ser dadas ou devem ser apresentadas sem equívocos.

A justiça faz os seus cadastros e nestes pode haver alguma coisa prescrita que não impede que o cadastro esteja formalmente limpo. Mas na política, onde a honorabilidade pública é um valor supremo, exige-se mais pois o assunto não é de prescrição – é de limpeza de vida e de competência. E é aí que os partidos não podem comportar-se como grupos de amigalhaços com pactos de fidelidade sem escrutínio.

Portanto, meus senhores que aí por dentro dos partidos andam na corrida ao lugar para presidência de câmaras, apresentem currículos. Não ao somatório de graus académicos que me refiro. Refiro-me à vida limpa. Vida limpa nas empresas onde se trabalhou e na própria vida.

As mais recentes fábulas portuguesas já ensinaram o suficiente sobre como os espertalhões estragam a vida a todos.

Carlos Albino
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Flagrante tema: Esse tesouro avaliado em 500 milhões de euros resgatado do fundo do mar, em 2007, em plena costa marítima algarvia, devolvido dos EUA para Espanha e que dá para falar no próximo apontamento.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

SMS 451. Ele tem razão, carradas de razão

23 fevereiro 2012

Os números aí chegaram com brutal frieza: o Algarve foi a região portuguesa com maior taxa de desemprego no último trimestre de 2011, além de, em função dos valores médios para o total do ano passado, o Algarve surgir também, com 15,6%. a região, com a taxa de desemprego mais elevada do País. Os dados do Instituto de Estatística são calamitosos e dos deputados não se ouviu (de alguns ainda assim) mais do que chorarem sobre o leite derramado, nem dos chefes de estruturas se ouviu uma mosca. Quem ergueu a voz, voz que se ouvisse, foi Elidérico Viegas, dirigente da principal associação hoteleira algarvia. O resto ficou a olhar para a janela e para o lado, como o maquinista do Intrercidades à espera do apito do chefe de estação.

Elidérico Viegas tem razão, carradas de razão, ao referir com clareza e sem subterfúgios, que, para além das causas imediatas do desemprego (descida das taxas de ocupação dos estabelecimentos hoteleiros e diminuição das receitas da atividade de longe dominante no Algarve) a falta de competitividade do Turismo é um mal de raiz cujos causas são a queda da procura e a dificuldade em competir com destinos concorrentes, designadamente Espanha, Turquia e países do Magrebe. E, embora não falando da qualidade dos serviços, acrescentou que não são os preços o busílis da questão mas sim outros fatores, exemplificando com os impostos e com as taxas aeroportuárias que são as mais elevadas da Europa, acrescentando nós que, se assim é, será mais um mealheiro pacóvio a juntar ao pacóvio mealheiro da A22 que estoirou ou está a estoirar os planos das pequenas empresas que resistem e dependem da mobilidade. E quanto ao chamado turismo interno, resumiu em duas penadas: os cidadãos nacionais viajam para o Algarve pura e simplesmente para ficarem em casa. Ou seja: não contam. Quando poderiam e deveriam contar.

É claro que sobre a ação sócio-cultural e sobre a promoção do turismo algarvio para efeitos deste turismo interno, o que haveria ou há para dizer daria um tratado e não cabe aqui. Mas ainda assim se diz que os grandes meios de comunicação e estruturas públicas determinantes, todos eles ancorados lá em cima, mais não têm feito que a delapidação da imagem do Algarve, por omissão e desvio de atenções, e de forma direta ou indireta mais não se exercitam que a desencorajar o Algarve como destino turístico – turístico, e não meramente de regabofe ou, noutros casos, de semi-executivos dormideiros que para aqui vêm com calções às florinhas.

Para emendar isto, seria necessário coragem e vontade política. A coragem política acaba no Caldeirão e a vontade não é coisa que se exija a filipes ou seja de esperar de filipes. Nisto, os algarvios são responsáveis mas essa é outra história.

Carlos Albino
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Flagrante promoção: Mais fez a Volta ao Algarve que em quatro dias na promoção mundial da região faz o que a RTP em 50 e tal anos não fez, e não foi necessário desaparecer uma criança inglesa.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

SMS 450. Senhora Merkel, venha cá!

16 fevereiro 2012

Pelos maus motivos conhecidos, Alberto João Jardim antecipou-se-nos mas não é lá por isso que, pelos bons motivos, devamos pôr de lado o convite à chanceler alemã para visitar o Algarve e ver com os seus próprios olhos como somos exemplo a seguir na aplicação dos generosos dinheiros europeus. Jardim convidou Ângela Merkel para verificar que na Madeira o regabofe não foi assim tanto como dizem. Quanto a nós, nada disso, antes pelo contrário o convite destina-se a que a chanceler certifique o bom exemplo que o estóico e civilizado Algarve é. Senão vejamos, com dois exemplos.

Construiu-se, em grande parte com dinheiros da Europa a fundo perdido, a única via rápida da região que era para ser de três faixas mas foi alargada para quatro para ter a fama de auto-estrada, mas apesar disso foram introduzidas portagens para lucro do Estado e intermediários no que é verdadeiro mealheiro. Não é este um bom exemplo de boa aplicação de fundos estruturais? Além disso, ao longo de anos e anos, foi prometida a chamada requalificação do ziguezague do século XIX que, no século XX recebeu primeiro a designação de Estrada Nacional 125 que de nacional nada tinha, e já no último quartel haveria de se chamar “estrada da morte”, pois em cada curva e em cada lomba a meio de cada pequena reta com casas de habitação e de comércio a cada lado, lá está a memória de incontáveis mortos ceifados no melhor da vida, mesmo com a célebre tolerância zero na circulação a 50 Kms à hora e correspondente caça à multa, porque aquilo é só caçar. Houve, na verdade, aqui e além uns arremedos de requalificação que mais não são do que muros de Berlim separando gentes e haveres, e, exemplo do horror, emparedando por exemplo o Centro Cultural de São Lourenço ditando a extinção deste, como cedo se tornou óbvio. Não se chama a isto uma boa aplicação dos fundos estruturais? Senhora Merkel, venha cá ver os bons exemplos de um Algarve nada perdulário.

Mas há outro exemplo. Pela engenharia estatística, tirada a média dos apreciáveis lucros do turismo e afins (em grande parte com código postal em paraísos fiscais) e dos magros lucros dos pobres algarvios, concluiu-se que a região é rica a ponto de perder acesso a fundos europeus destinados a áreas deprimidas. A verdade é que os algarvios continuam deprimidos mas os que para isso contribuíram parece que não. Mas com cara alegre, elegendo deputados que quando deputam não delegam e quando delegam não deputam, com muita ginástica de rins dos municípios (senhora Merkel, não se esqueça de ir a Alcoutim, por exemplo), e com santa paciência face aos emissários do centralismo regra geral opulento e sobranceiro no uso da sua arma predileta que é a burocracia, o Algarve suporta essa fama de rico, sendo pobre, assimétrico, desprovido e para o qual o Orçamento de Estado é sistematicamente mau padrasto, sem que, apesar de tudo isso, o Algarve reclame da Europa o que a Europa lhe deveria dar sem favores mas por retorno (a lista dos que aqui bebem é conhecida).

Senhora Merkel, venha cá.

Carlos Albino
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Flagrante errata: E logo com a Universidade. No apontamento da semana passada deixou-se sugerido que a Universidade do Algarve deveria ter avaliado o programa Allgarve sem esperar pela encomenda mas por motu próprio.  Por razões alheias, em vez de motu saiu moto, gralha suficiente para se perder graduação honoris causa, a avaliar pelo telefonema de reparo. Nada de gralhas com a universidade.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

SMS 449. A palavra de título está no fim

9 fevereiro 2012

Consta que algumas câmaras municipais e juntas de freguesia estão a cancelar assinaturas dos poucos jornais locais e regionais que o Algarve ainda tem sem barriga de aluguer, alegando a crise. Somados os locais aos regionais, quando muito serão uns cinco ou seis jornais para cada câmara e na generalidade um ou dois jornais para cada junta, custando isso uns 120 euros anuais no máximo. É claro que os jornais estão a ser postos de lado pelos autarcas não é pelos 120 euros para 365 dias, nem porque a prosa geralmente laudatória que se lhes destina os fere na cultivada virtude da humildade, e muito menos porque a crítica feroz e impiedosa dos jornais algarvios perante questões esquisitas tenha feito cair meia centena de juntas e dúzia e meia de câmaras a ponto de se justificar tal corretivo. A coisa é mais simples – o pessoal decisor das câmaras e juntas que corta nos jornais, corta porque não lê jornais, e caso um ou outro jornal publique alguma coisa que o toque, lêem-nos pela fotocópia, ou não seja verdade que a fotocópia se tornou na mãe de toda a política portuguesa, incluindo a política local que é a fotocópia da nacional. Mas a juntar aos tais cortes de assinaturas por câmaras e juntas, chegam notícias de calotes de algumas bibliotecas também municipais pelos jornais e revistas que adquirem para as salas de leitura forçando jornaleiros a andarem de Anás para Caifás, com cada Anás a enxotar a água do capote para outro Caifás. As verbas também não são por aí além, mas não é de admirar que, mais dia menos dia, os jornais sejam retirados das bibliotecas devido à crise, ou não seja verdade que a crise se tornou na desculpa useira e pretexto vezeiro para tapar erros de gestão, para dissimular analfabetismos reinantes e para salvar incompetências atrozes. Quando um presidente de câmara invoca que não tem 40 euros para pagar uma assinatura de jornal que diz diretamente respeito à terra, e quando um diretor de biblioteca, mês após mês, levanta jornais e revistas sem pagar dizendo que não sabe quem pode e deve pagar, isso tem um nome que é muito feio e que por acaso foi das primeiras palavras que a estrangeirada da troika aprendeu de português. Que palavra? Mesquinhez. Até dá vergonha pôr a palavra em título.

Carlos Albino
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Flagrante encomenda: Então foi preciso encomendar um estudo para a Universidade do Algarve avaliar o tal programa Allgarve? Isso não era coisa para uma universidade avaliar por motu proprio?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

SMS 448. Presentes envenenados

2 fevereiro 2012

Há que desconfiar, melhor, há fundamentos para desconfiar. Talvez para testar recetividades, foram atiradas ao ar pelos fogueteiros de confiança, algumas notícias que à primeira vista parecerão boas mas há que desconfiar. Foram os casos da reposição das regiões de turismo, da promoção das comunidades intermunicipais a “supermunicípios” invocadamente como caminho para a regionalização, e, dizendo mais diretamente respeito ao Algarve, o fim do Allgarve. Aparentemente boas notícias mas as dúvidas são muitas sobre se não serão presentes envenenados. Quanto às regiões de turismo, não é difícil prever que a solução equivale a criar uns tantos maus da fita sobre cujos ombros recairão as consequências dos cortes orçamentais e dos apertos de toada a ordem – não será bem o caminho para a gestão autónoma dos interesses mas sim mais uns lugares para capatazes subservientes para cima e a encolher os ombros para baixo. Quanto aos “supermunicípios”, promoção essa à custa das competências dos municípios e não do poder central, isso assemelha-se à promoção de sargentos-ajudantes a capitães sem passarem por tenentes – como será extremamente complicado extinguir no Algarve quanto ou cinco municípios que sejam, extinguem-se os 16 numa rajada. E quanto ao Allgarve, uma coisa é corrigir a designação e reorientar o programa para uma zona onde Turismo e Cultura sejam sinónimos e não negociata de eventos, outra é acabar com tudo e dar lugar a festas do mais reles provincianismo, sem nível e mostruário de estrelas pífias. Há que desconfiar de tais presentes. Depois de anos em que o turismo central deixou cair da primeira linha a experiência da antiga RTA, não será nos tempos que correm que o Estado vai investir a sério na organização regional da atividade. E quando o governo envia mensageiros a avisar que quanto a regionalização, os algarvios que rirem os cavalinhos da chuva, também é difícil admitir que tais mensageiros sejam desautorizados depois do serviço prestado, aparentemente com o povo serenado.  Finalmente, quanto ao Allgarve, deixemo-nos de histórias, temos Guimarães para a cultura e basta, que a coisa não sai barata, até porque, para além dos artistas, têm que pagar os espetadores para as plateias do berço nacional não ficarem vazias e entediadas com tanta presunção.

Carlos Albino
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Flagrante previsão: Pois claro que o tráfego da Via do Infante caiu para metade, o que quer dizer que o da 125 dobrou fazendo da política de transportes no Algarve uma lástima. Pouco falta para que o melhor comunicação entre Lagos e Faro e entre Tavira e Portimão seja por via marítima. Entreguem a política a guarda-livros e vão ver os resultados de caixa.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

SMS 447. Elegeram Filipes? Aguentem.

26 janeiro 2012

O que mais por aí há é o desalento, o desânimo, o desapontamento. O interesse pela coisa pública está na mó de baixo, em largos estratos da sociedade, a começar pelos dos que decidem mais ou menos, a regra é a de que cada um se governe, regra que se cumpre em cada casa, em cada rua e em cada município, ao mesmo tempo que a pobreza deixou de ser envergonhada e está na praça pública. Aqui e além há fome, o desemprego está em porta sim porta não, os piores fantasmas da crise não medem as consequências seja de dia, a meio da tarde ou à noite pela calada, e, muito embora o País lá de cima sofra o mesmo ou de coisa parecida, esse ainda tem direito à consideração até porque o poder central é o do País lá de cima – deixemo-nos de conversas fiadas. Algarvio que proteste, ou mesmo que peça com mesura, fica como que a atirar barro à parede pois também há a regra de deixar essa gente a falar até se cansar, pois toda a divulgação de alguma causa é feita com os calculados elementos de desprestígio da causa. Em Lisboa, o Algarve não tem grupo de pressão que se assemelhe ao dos Açores que gravita na Casa dos Açores, ao da Madeira, ao das Beiras, por aí fora. A “nossa” Casa do Algarve é um símbolo do passado que resiste mas anda por ali, pela capital, como que um sem-abrigo que não passa de símbolo de um Algarve que nem sequer ousa abrigar-se defendendo-se a si próprio. E além desse símbolo ineficaz, na capital, junto do poder ou nas barbas do poder, o Algarve não tem mais nada a não ser uns minhotos, uns alentejanos e até uns angolanos que por acaso elege, e que, por serem eleitos aqui, até parecem ser marroquinos mas nem sequer de Gibraltar são. Ao menos fossem de Gibraltar, que sempre teriam o ar de não serem Filipes que são e é pena que sejam para nosso desapontamento, desânimo e desalento. Gente animada no Algarve, só algum Filipe.

Carlos Albino
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Flagrante naturalidade: Se o Presidente toma alguma medida acertada, ele é nacional, é estadista e fazem-no até mesmo filho adotivo de Guimarães; mas se diz alguma barbaridade ou se resvala um segundo que seja, ele é algarvio, ele é o homem de Boliqueime e ele pertence àquela gente lá do sul... E o mais curioso é que os Filipes do Algarve são os primeiros a entrar nesse folclore.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

SMS 446. Cheirou a pouco, melhor, a nada.

19 janeiro 2012

Nesta segunda-feira houve exposição de ideias ou de convicções, o que não é mesmo que debate, por iniciativa da Universidade do Algarve e da Comunidade Intermunicipal do Algarve, sobre o Documento Verde da Reforma da Administração Local que esquisitamente se chama verde quando deveria ser cor de laranja com laivos azuis, mas, enfim, o extinto Kadafi deixou tradição maníaca em dar-se cor verde aos livros. É claro que a universidade pode e deve promover debates que deixem ata sobre os grandes temas algarvios (tem andado catedraticamente longe) e a Comunidade Intermunicipal tem politicamente essa obrigação. O encontro de segunda-feira foi uma espécie de sessão solene com abertura partilhada pelos protagonistas e encerramento pelos mesmos, um memorando-aperitivo a cargo de António Rosa Mendes, um serviço de bebidas servido por Ana Paula Barreira (o financiamento local não é coisa que tenha muito para mastigar, bebe-se), João Farias lá veio com umas coisas da Europa como quem mete o Rossio na Betesga, e, para terminar uma mesa-redonda com os deputados da ordem parlamentar, cada um a dizer o que já se sabe que tem para dizer. E pronto, missão cumprida, o que cheira a pouco, para não se dizer que é pouco mais que nada. As afirmações de Mendes Bota, sobretudo sobre a desconfiança na capacidade fiscalizadora das assembleias municipais com elementos eleitos em lista da confiança dos presidentes de câmara, passaram, para um ou outro jornal, Miguel Freitas fez o papel de governador civil substituto, Cecília Honório denunciou, Paulo Sá deu a dispensável novidade de que o PCP está disponível para trabalhar “desde já” no objetivo da regionalização, e Artur Rego, do CDS, ele que, para prova de bom comportamento nas suas hostes lá de cima, fez o voto contra a regionalização argumentando que esta é só “para criar tachos”, acabou por dizer ali o que Jacques de la Palice não diria - que o documento verde com laivos azuis é “apenas um primeiro passo na proposta de reforma, não é um documento definitivo”. O senhor de la Palice quando muito diria que um deputado que diz o óbvio é apenas um primeiro passo para deputado, não é um deputado definitivo.

Com cenários destes, com encenações destas, com marcações de palco destas, com atores a desempenhar papéis pré-sabidos. e sobretudo com textos dramatúrgicos tão pouco originais como estes, o teatro não vai longe. E já deveria ter andado muito como a universidade podia e devia fazer andar mas não tem feito, e como a comunidade intermunicipal politicamente tinha obrigação mas parece não a sentir.

Carlos Albino
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Flagrante estopada: E como lá está a GNR, durante noite a vigiar os pórticos da via rápida a que se chama auto-estrata com bermas onde mal pode estacionar um carrinho de feira, quem vigia a GNR naquela estopada?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

SMS 445. O ano que passou e o tal prémio

12 janeiro 2012

Quanto ao ano que passou. Agora que 2011 está enterrado, pois que coisas marcantes ficaram? Claro que para cada cabeça a sua sentença, mas olhando para trás há quatro registos algarvios que devem ficar, a saber:
1 – Primeiro, duas intervenções que não deviam cair em saco roto. Uma de André Jordan que numa entrevista a Sofia Cavaco Silva, neste jornal (junho), de uma penada, fez o retrato do Algarve que devia ser e não é, designadamente quanto a aposta na Cultura (sim, letra maiúscula). Outra de António Rosa Mendes que com toda a frontalidade e como que pedrada no charco, disse sobre a mesma Cultura o que não devia entrar por um ouvido e sair pelo outro.
2 – O facto do Colégio Internacional de Vilamoura surgir a liderar o ranking nacional das escolas secundárias, com todo o mérito para o seu diretor carismático, infelizmente e precocemente desaparecido, Renato Costa. Que a sua obra continue.
3 – Terceiro registo para o facto da Universidade do Algarve ter sido seleccionada como a única parceira portuguesa do Programa Campus de Excelência Internacional do Mar com as universidade de Cádis e Abdelmalek Essaâdi (Marrocos) quando, desde há muito, tanta gente gostaria de ver a universidade da região a liderar os estudos do mar em Portugal porque esse é o seu horizonte natural e imperdível.
4 – Por último, o sismo político com epicentro no diretório provinciano do PS, que levou à eleição de quatro deputados do PSD, dois do mesmo PS, um do PCP que desde 1991 fazia uma travessia no deserto e um do CDS a quem não fica mal um naturalizado de luxo. Lição que ficou para os da derrocada e responsabilidade acrescida para Mendes Bota que vai no seu sétimo fôlego.

Quanto ao tal prémio, como há anos vem sendo habitual, o júri do Prémio SMS de Jornalismo reuniu no Dia de Reis e, com unanimidade e à primeira volta, decidiu atribuir o prémio relativo a 2011, à jornalista Conceição Branco, a mãe e elo mais forte do Observatório do Algarve que já é obra e pombo-correio online de muita gente. Merece.

Carlos Albino
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Flagrante tristeza: Sim, o alojamento no Algarve apresentou uma taxa de ocupação média de 20,3% e uma quebra de 11,1% relativamente a dezembro de 2010, o pior resultado dos últimos 16 anos. Os agradecimentos por esta tristeza devem ser dirigidos ao Turismo de Portugal que não faz nem deixa fazer.

SMS 444 Ano de provação e de prova

5 janeiro 2012

O melhor que o Algarve tem, mais do que nunca, vai estar em provação e à prova. Em provação sempre tem estado porque a região, regra geral, tem sido postergada pelo poder central, mas a provação por que vai passar em 2012 é sem precedentes. E vai estar à prova: se conseguir resistir e passar o Rubicão, vai ser obra. Para o turismo, para já, não estando em discussão que nasceu enviesado, vai ser um ano em que tanto pode revelar consistência aguentando, como perder o rumo com hotel a hotel a ficar abandonado como ficaram as antigas fábricas de conserva passada a febre das negociatas que dependiam da guerra sem que os donos olhassem longe. Para a agricultura e para as pescas, fortemente dependentes dos intermediários e de vorazes oportunistas, 2012 não augura bons sonhos e a questão é apenas evitar pesadelos fatais. Para a construção civil mais não se pode esperar que os erros se paguem o menos caro possível. Para as indústrias de serviços que não têm grande porta de saída a não ser a da dependência extrema do turismo, da construção e de uma classe média depauperada e decapitada, o milagre, a haver milagre, será o milagre da faturação que é coisa tão difícil que nem Cristo o fez

E não há mais que o Algarve tenha de melhor e que entre em provação e esteja à prova? Claro que há, e muito embora a lista não seja longa, destaque-se os municípios, com os seus altos e baixos, uns mais sultanatos, outros menos, mas cujas câmaras vão ser inegavelmente câmaras de provação, pelo Orçamento e pelas medidas avulsas tomada por quem não desce à terra e só conhece o Algarve nos passeios de agosto à beira-mar em calções às florinhas. E a Universidade do Algarve que vai ter que fazer ginástica de rins se as guerrinhas internas entre desenraizados permitirem ao menos tal ginástica. E já agora a Orquestra do Algarve e o Teatro Acta que são duas esplêndidas palmeiras que têm resistido a tanto escaravelho, mas que vão estar à prova pelo escaravelho de 2012. E por agora é tudo.

Carlos Albino
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Flagrantes votos: A imprensa da região (toda, no seu conjunto e sem exceções) é a chama do Algarve e as rádios locais (todas, mesmo que não sejam grande espingarda) são o pavio. Os nossos votos para que a chama se mantenha acesa e que o pavio dê para acender. Grande abraço para os que resistem com imaginação, brio, coerência e sentido de serviço público.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

SMS 443. Lutas por causas e pelo poder

29 dezembro 2011

Por este ou por aquele motivo e alcance, por aí se surgem iniciativas visando a formação de movimentos independentes por iniciativas de gente ou desesperançada com os partidos, por vezes a pretexto de causas a propósito das quais os partidos os seus representantes defraudaram. É legítimo mas é razoável que se separe as águas. Em democracia, os partidos existem para a conquista do poder através do voto, o que não conflitua, antes pelo contrário complementa ou aprimora esse papel, com os movimentos cívicos ou de cidadania. Os partidos lutam pelo poder com base nos seus quartéis de militantes e de milicianos cooptados, os movimentos cívicos batem-se por causas pelo que podem integrar gente de partidos ou à margem de qualquer filiação ou disciplina partidária. Os cooptados pelos partidos para a conquista do poder não são assim propriamente independentes, e os movimentos cívicos também não são privilégios de independentes, mas as regras do jogo já ficam tão claras quando se constituem movimentos de cidadania confessadamente ou não para a conquista do poder em competição com os partidos e sob a bandeira de independentes. Na verdade, é um mau sinal para a democracia quando ou se os partidos ficam reféns de nomenclaturas que impeçam a democracia interna e o debate de ideias, tomem decisões violentando a vontade expressa dos seus apaniguados, elejam dirigentes através de expedientes montados para a perpetuação de clientelas ou que atraiçoem promessas eleitorais pelas quais obtiveram o voto em sufrágio rasgando o contrato feito com os eleitores. Mas também é não apenas mau mas péssimo sinal para a mesma democracia que se tente fazer fora dos partidos o que dentro deles não se faz como se devia fazer por falta de coragem e de frontalidade, funcionando então os movimentos de duvidosos independentes como cómodo combate impessoal ou longe da cara dos efetivos destinatários do protesto político. A nível de freguesias, a luta pelo poder e a luta por causas confundem-se ficando isso civilizadamente diluído em guerrinhas cordatas de vizinhos. Mas a nível de municípios, esses sinais já são péssimos caso revelem a incapacidade dos partidos para a remoção de nomenclaturas politicamente suicidárias, sobretudo se os partidos, a nível local, tiverem ficado despovoados de quadros e funcionarem como meras máquinas eleitorais apenas animadas por líderes em tournée e pela mágica da sigla legal. E sendo assim, os independentes têm muito mais a fazer pela reclamada independência dentro dos partidos que fora deles. A não ser que se pretenda na eleição apenas ganhar um salário de prestigio social ou fazer prova de vida.

Carlos Albino
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Flagrante dúvida: A de se o Algarve em 2012 vai ter deputados, porque em 2011 não se notou a não ser aí por uns escritos genéricos e parajornalísticos.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

SMS 442. Nem quando toca a reunir

22 dezembro 2011

Diz um cómico do governo que esta não é altura para se pensar na regionalização pois o que se deve é proceder à descentralização. Mas descentralizar o quê, como e para quem quando se extinguem direções regionais supostamente criadas para funcionarem como alavancas e pedagogia de futuros centros de decisão regional? Descentralizar para os municípios quando se corta a eito nas verbas autárquicas ficando as câmaras sem dinheiro para mandar cantar um cego? É claro que as direções e delegações regionais, as extintas e as que se conservam, nunca foram nem são alavancas de regionalização e muito menos pedagogia. Foram e são empecilhos de burocracia, pequenos reinos de pareceres imperativos, correias de transmissão do chefe e zelosas máquinas de confiança partidária que muitos ingénuos têm designado por confiança política. Nesse mapa de mordomias de que os governos civis foram napoleónicos exemplos, as exceções ou tentativas de exceção tiveram os dias contados. É também claro que os municípios são instrumentos mais adequados para se transformar numa manifesta manta de retalhos aquilo que poderia ser uma região com pés para andar e cabeça para pensar. Nada melhor que descentralizar falsamente para os municípios caso o objetivo seja o de dividir para reinar, até porque, a rigor, o governo não pode descentralizar nada para os municípios, o que pode é alijar… Não descentraliza, alija. É a palavra. E é por isso que, com tais ilusórias descentralizações, os municípios ricos ficam mais ricos e os municípios pobres ficam mais pobres, assim se quebrando a coluna vertebral da solidariedade regional que é, no fundo, o que se quer partir. Na verdade, a melhor e mais fácil maneira de acabar com a ideia de Algarve é dividi-lo em 16 algarves cada qual tão ou mais endividado que o outro algarvezinho. E é assim que, com tanto algarvezinho, nem quando toca a reunir o Algarve se une. Não quando toca a reunir por reclamações de uma região que não passa de quintal de Lisboa ou de Caparica para o conveniente bronzeamento da socialite política, mas quando toca a reunir por uma ideia de Algarve.

Pequena nota: nunca se pensou que desejar Boas Festas fosse mesmo uma ironia, valendo todavia a intenção.

Carlos Albino
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Flagrante verdade bíblica: É mais fácil um injusto passar pelo fundo de uma agulha que primeiro-ministro e ministros decidirem alguma medida favorável ao Algarve.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

SMS 441. O mal está feito


15 dezembro 2011

Via do Infante, voltamos ao assunto.

O erro dos anteriores governos foi o de não terem desclassificado a via de “auto-estrada” para IP, pois de auto-estrada tem pouco. Além disso, muito boa vontade e tolerância têm mostrado os moradores das casas no meio das quais ela foi plantada, para não se prejudicar duas águias que ninguém viu e três linces da cor de um burro quando foge. Habituados à ideia de que a via era um bem caído do céu para a região, esses moradores poderiam ter solicitado indemnização pelo ruído contínuo desse pavimento acimentado de escórias contaminadas e comedor de pneus. Não o fizeram porque o terem lutado contra uma “auto-estrada” assim oferecida, além de ferir escandalosamente a militância de uns ecologistas enviesados, seria sobretudo lesar o Algarve, a sua indústria-rainha, o progresso, o futuro mais que perfeito do conjuntivo que se está nas tintas para o Algarve mas que o explora sem qualquer condicional. Agora que a estrada é paga, assiste-lhes esse direito à indemnização.  São às centenas e centenas os que se podem queixar – em nenhum lugar do mundo civilizado se faz uma auto-estrada a escassas dezenas de metros do quarto de dormir de cada um. É claro que a Via do Infante, nestas circunstâncias, deveria ter sido desclassificada, impondo-se limites de velocidade para proteção dos moradores e reconduzindo-a àquilo que efetivamente é - um itinerário sem alternativa entre localidades, inferno para quem mora junto ou perto, porque o ruído chega seguramente a um quilómetro de distância. E que ruído se houver um leve ventinho!

O erro do atual governo é o de dar este presente de Natal ao Algarve, região que só tem dado lucros ao Estado sem retorno, e não buracos – façam-se as contas. Uma via, inicialmente programada para três faixas, visando a substituição da 125 mas que levou uma eternidade para ser feita na sua metade com quatro faixas praticamente à custa da anulação de bermas; que levou outra eternidade para a sua segunda metade ir até Lagos; e que vai ditar uma terceira eternidade para a trágica requalificação da 125 depois de se ter deixado que esta tenha transformado o Algarve litoral numa Cisjordânia cheia de colonatos, pois, sem dúvida que este presente é magnífico.

E no erro dos anteriores governos e do atual estão obviamente comprometidos também os deputados e autarcas que, mal mudou o alfaiate mudaram de fato, ou, escrevendo pela ortografia antiga sem alfaiate, mudaram de facto.

Carlos Albino
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Flagrante surpresa: O Coro Infantil de Loulé a entoar canções de Natal no El Corte Inglês de Lisboa. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

SMS 440. Feriados daquém e do além


8 dezembro 2011

É um erro grosseiro a forma como o governo vê a matéria dos feriados, como grosseiramente errada foi a literatura com que se pretendeu justificar os cortes – Portugal não tem mais feriados que outros e até nem tem os feriados incompreensíveis que outros têm (2.º dia de Natal e de Páscoa, na Suécia e Alemanha, por exemplo) e além disso os feriados nacionais, ou são nacionais ou não são, independentemente de terem origem religiosa ou civil. É evidente que, por enquanto, Portugal não precisa de um feriado semelhante ao Dia da Unidade Alemã como a Alemanha tem, nem de um Dia da Constituição com os espanhóis celebram, porque a nossa unidade nacional (com mais alguma coisa de essencial e que dura há séculos...) foi sempre celebrada a 1 de dezembro e a Constituição (ainda que com outros pretextos e disfarces...) foi sempre celebrada no 5 de outubro. O que não se entende é que o Dia de Corpo de Deus seja feriado facultativo em Espanha e tenha que ser obrigatório em Portugal, sem que dos dois lados da fronteira se compreenda o que é que isso tem de nacional num lado e no outro já não tem. Como não se compreende como os dias da dita Assunção de Maria (15 de agosto) e da Conceição da mesma (8 de dezembro) tenham que ser feriados nacionais obrigatórios. Como também não se compreende que 1 de novembro Todos os Santos) seja feriado por todos celebrado e usado como o dia dos Defuntos que é a 2, no dia seguinte, com os próprios responsáveis religiosos a terem a imensa trabalheira de explicar que nem todos os defuntos são os santos da véspera e que nem todos os santos são os familiares do dia seguinte – outro feriado dispensável e, esse sim, que poderia ser encostado a um domingo porque é um feriado do além.

Mas claro que se Hitler tivesse sido derrubado num qualquer 25 de abril por uma revolução democrática e não no termo de uma guerra mundial que dilacerou tudo o que era país e povo, os alemães teriam nesse dia o seu Dia Nacional da Liberdade como Portugal tem, para não se esquecer da queda dos seus hitleres de trazer por casa mas que infelizmente continuam a estar vivos e tão vivos que beneficiam da presunção de inocência eleitoral.

A abolição do 5 de outubro e do 1 de dezembro é um erro grosseiro do governo, mexe com o que de mais profundo a sensibilidade portuguesa possui, e contrariamente à simbologia nacional das datas, é um gesto de outorga e sem coragem.

Carlos Albino
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Flagrante feriado que falta: Os feriados municipais que no Algarve são 16. Bastaria um  Feriado do Algarve a coincidir, damos de barato, com um religioso comummente aceite como o 1 de janeiro. O início de cada ano não ficaria bem como o Dia do Algarve? Ficaria.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

SMS 439. Fome, apenas isso

1 dezembro 2011

As notícias da fome, depois da fome envergonhada e contida, começam a chegar à praça pública. E quando tais notícias chegam à praça pública, mal vai a coisa. As cantinas das escolas básicas e secundárias têm tapado muita necessidade e nas casas de cada um só Deus sabe o que por lá vai. O mal chegou à universidade, sabendo-se agora que muitos estudantes, isolados das famílias e dependendo dos cêntimos daqui e dali, chegam a situações de carência alimentar extrema. O que podem fazer? Pouco. Estender a mão à caridade pública nas esquinas de Faro? Quem acredita? Poucos acreditarão até porque um qualquer estudante nessas circunstâncias não é propriamente elemento de bando romeno organizado. E basta noticiar essa realidade para a resolver? Não basta. É preciso dar-lhe solução, inventariar as situações de modo a que cada um dos necessitados não se sinta tingido na sua dignidade pois a fome, em gente honesta, é mal que se sofre pela calada até quase ao limite de cair para o lado.

Muitos dos pequenos roubos que jamais constarão nas queixas de esquadra, muitos dos pequenos assaltos que não entram nas estatísticas dos que apenas avaliam a realidade pelos números a grosso e não pelas causas (então, polícias a falarem de estatísticas!), e muita da agressividade que campeia nas relações do dia a dia, têm a sua origem em situações de fome. Ou pelo desemprego, ou pela brutal interrupção de esquemas pelo Estado, ou, no caso dos estudantes, pelo dilema que se lhes coloca entre estudar ou entrar na vida, a explicação está aí. As polícias podem andar atrás dos autores de furtos mas não andam atrás da fome, não podem prender a fome e entregá-la ao tribunal da área. A fome é um ladrão que escapa a tudo e até rouba a dignidade e sensatez de quem tem fome.

É claro que os municípios, entidades do Estado comprometidas, organizações cívicas, e, no caso, a própria universidade, já deviam ter-se sentado à mesa para formularem o problema, a extensão do problema e encontrar a melhor solução possível. Não apenas um município mas todos porque o problema é comum e a fome pode residir num deles mas atuar no outro. Cada um agir por seu lado pode resolver situações pontuais e redundar em prestígio ou reconhecimento social, o que não deixa de ser perverso. O problema é do Algarve e a fome que há nas outras regiões não desculpa que não se encare o facto para cá do Vascão até às moradias da Quinta do Lago. Mas possivelmente cada um está à espera do outro, ninguém sabendo por onde começar solidariamente, até porque nem para encarar um flagelo que afeta toda a região existe Algarve. Infelizmente, o Algarve, cada vez mais, é apenas uma maneira de dizer. Esse é o nosso pior défice e nem a fome envergonhada ou já pública, a pobreza extrema e uma multidão carente mas calada, faz abrir os olhos. Vamos voltar às filas dos pobres que se faziam no final das missas dos anos 40 e 50 do século passado, a pedir “um pãozinho para o pobrezinho”, ou já se esqueceram disso?

Carlos Albino
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Flagrante património: O fado chega a património imaterial da Humanidade, processo bem conduzido e justificado. Sagres que poderia e deveria ser património da mesma Humanidade, foi para o lixo. Muita culpa do Algarve e de muitos algarvios de sofá. Ou como observava Aleixo, de muitos doutores com a mosca pousada na cabeça.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

SMS 438. Faro, faltaram-lhe ao respeito


24 novembro 2011

Bem deu ao dedo, o jornalista Idálio Revez para nos explicar que “a cidade de Faro está doente” e isso porque “está asfixiada pela falta de áreas verdes para a população”...  E a doença será a “especulação imobiliária” que na verdade é um diagnóstico tão vago como o da pontada, como outrora se dizia quando quem morria morria sempre “de repente”.  É claro que Faro foi morrendo devagar e continuará devagarinho a morrer se não houver a coragem de identificar o vírus da dita especulação, vírus esse que não é mais nem menos que o bicho homem. É um senhor vírus e com mutações, trocando de disfarce para escapar do possível sistema imunológico e tornar-se  resistente a medicamentos antivirais. Esse vírus ora é arquiteto, ora é engenheiro, ora é simples mestre-de-obras, ora é fiscal da câmara, ora é aquele tal administrativo que dá um jeitinho nisso, ora até pode vir disfarçado num espirro do presidente contaminando vereadores e, misteriosamente, provocar a tosse coletiva da assembleia municipal, tosse tal que se ouve mais longe que o sino à esquerda da Sé de Faro.

Um exemplo? Está à vista desarmada, ali na Unidade de Radioterapia do Algarve, construída num logradouro público, com as traseiras de prédios a fazerem-lhe de cerca. Para esse local foi anunciado um jardim público, depois um parque infantil, enfim, qualquer coisa verde. Não está em causa as finalidades desse centro de radioterapia, nem se discute a parceria que a baseia, nada disso. Está apenas em causa o local onde o centro foi encavalitado, alegadamente “para dar mais movimento a Faro”. Erro. Tem sido esse o erro de Faro, esse o de querer encavalitar tudo para que nada lhe fuja das mãos, nada lhe fique de fora e, portanto, para que tenha muito movimento... Especulação imobiliária, isto? É também, mas não só. Olhem para aquela escola encavalitada numa urbanização tosca e de mau gosto; olhem para o hospital encavalitado no estádio e este no mercado, com urbanizações de mau gosto e toscas encavalitadas umas nas outras, tudo isso por decisões de assembleias a tossir e de presidentes a espirrar epidemicamente. Faro tem de verde o que de verde lhe ficou da primeira metade do século passado, além de uns relvados que só dão para passear aos besouros das palmeiras e tanta gente que ficou intocável. Faro está doente porque lhe faltaram ao respeito – não trataram a cidade como Ossónoba mas apenas como subúrbio de Casablanca.

Carlos Albino
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Flagrante símbolo nacional: Então quem duvida de que a árvore do Refúgio não é mesmo o símbolo nacional do Algarve que resta, depois de perdido o hino, a bandeira e o ego viajante do governo civil?

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

SMS 437. Dentro das câmaras

17 novembro 2011

Ninguém ousa falar disso em voz alta, mas o cheiro das eleições autárquicas já entra pelas câmaras a dentro tal como o cheiro do peixe frito no rés-do-chão empesta o primeiro andar nas casas de sobrado. Ninguém fala disso dentro às claras dentro dos partidos, muito menos de partido para partido e na rua, jamais – o silêncio á a alma da estratégia. Sente-se isso no ar, sobretudo nas câmaras em que o atual presidente atingiu o limite de mandatos, ou seja, 12 anos de poder político possível, supostamente para permitir a renovação de quadros e, também supostamente para impedir apegos ao poder, como se quem queira continuar a mandar não o possa fazer por interposta pessoa (por vezes, este esquema é até mais eficaz) e como se quem queira estar no poder até ao fim da vida também o não possa fazer através de herdeiros e protegidos dispostos a fazer a figura de estilo em mandato intercalar (por vezes, este esquema é será mais discreto e certeiro...)

Nota-se mais nas câmaras do que nas juntas de freguesia onde a limitação de mandatos é de somenos importânica. Nas juntas, há que aguardar o resultado de muita luta de galo e os presidentes cessantes não contam grande coisa. Nas câmaras é que já se nota: os presidentes em último mandato, não é que estejam já na prateleira, mas é como se estivessem, não só pelas lógicas ansiosas dos partidos concorrentes mas sobretudo pela força das concorrências subterrâneas dos próprios partidos, nos casos em que não há interpostos herdeiros ou protegidos. Por isso já se vai notando algumas desautorizações pela calada, sobretudo em que o presidente em mandato final não citou alguém como herdeiro ou não anda de braço dado com outro para que todos saibam que esse é o protegido. Se não tem um destes dois procedimentos – para tal é necessário que tenha também força incontornável no partido -, à medida que as eleições se aproximam assim a gestão autárquica pode ser maior inferno. E isto é rápido: 2011 está no fim, 2012 vai ser um ar que lhe vai dar e as autárquicas vão ser em 2013. à porta portanto, pois não é na véspera e sobre o joelho que se encontram candidatos ganhadores, sejam sucessores lógicos ou génios de alternância.

Ora é aí que queremos chegar: a luta de galos e a consequente marginalização dos presidentes que terminam lugar no poleiro, é coisa lamentável dentro das câmaras e por vezes entre pintos da mesma cor. Porque a democracia só tem a perder se em vez de galos, nos saírem uns pintos.

Carlos Albino
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Flagrante aldrabice: A das estatísticas da riqueza Algarve. É evidente que uma mansão da Quinta do Lago somada a uma casa de caliça rachada do Barranco do Velho, a dividir por dois dá uma pequena fortuna que é só de  um e até estará fora, nada tendo com a Algarve à exceção dos calções de banho.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

SMS 436. Arranquem essas placas

10 novembro 2011

Não, escrever sobre a crise, não – está nas ruas, entra pela casa, vê-se nos olhos, adivinha-se no pensamento. Escrever sobre autarcas, também não – foram eleitos sem contar bem com o que lhes saiu na rifa e em autarquias onde não há tostão, todos ralham e ninguém tem razão. Escrever sobre a qualidade da cultura, também não – os muito cultos que por aí há, queimam os últimos cartuchos e para o ano que vem vamos ter por certo saudades até do provincianismo. Escrever sobre a segurança, muito menos – bastam os relatos do dia a dia e a sorte grande de não haver ninguém na família, na vizinhança ou na terra que não seja assaltado para não se falar da sorte de cada um de nós a quem esse mal não bateu à porta. Escrever sobre os deputados, também não – uns, afinal, nada prometeram, outros nada podem fazer porque não contam em número, em influência e poder, tomara cada um cumprir o mandato nas calmas. Escrever sobre as portagens, sobre a Via do Infante, sobre a 125, sobre as variantes prometidas e não concretizadas, sobre as rotundas e seus monumentos e oliveiras transplantadas, jamais por enquanto – é chover no molhado e quem, por imperativo democrático, devia explicar mete-se nas suas sete quintas.  Escrever sobre o urbanismo, também não porque quando a construção civil colocava uma girar em cada duna, em cada esquina e em cada casa sobre outra casa, albergando obreiros clandestinos em contentores ou cada dúzia num quarto, ninguém quis ouvir e não é agora que vão fazer marcha atrás porque o mal está feito. Escrever sobre as insolvências às montanhas, sobre o comércio que fecha, sobre  a agricultura nem foi protegida nem se quis proteger, sobre as oficinas disto e daquilo que são ilhas rodeadas de dívidas por todos os lados, também não. Escrever sobre os jovens que saem das escolas sem saberem escrever uma carta e que consideram um insulto a oferta de um dicionário, também não, sendo inútil perturbar a avaliação do desempenho de quem tutela o seu ensino. Escrever sobre o saudoso governo civil? Não - foi extinto e nem se deu por isso.  Escrever sobre as iluminações de Natal? Qual coisa, agora que a generalidade das câmaras de vê aflita para manter a lâmpada da esquina. Escrever sobre a outrora apregoada linha de alta velocidade Faro-Huelva? Escreva Durão Barroso que concertou isso com Aznar, já lá vão uns bons anos, dizendo-lhe eu logo de cara a cara que não acreditava nesse fogacho populista. Por aí fora… Então o que posso e devo escrever? Posso e devo escrever sobre o essencial, as coisas essenciais que o Algarve a todo o custo deve manter, mas que, para tanto, cada câmara, cada município e até já cada freguesia não se pode comportar como se cada qual fosse um sultanato de costas viradas para o sultanato contíguo pelo que, para que não restem dúvidas dessa marcação, colocam placas delimitadoras de território, coladas umas à outras como se fosse terra conquistada. Ora comecem por arrancar essas placas, que há placas a mais, e só depois escreverei. Se, sem crise, os sultanatos são intoleráveis, em plena crise os sultanatos repugnam.

Carlos Albino
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Flagrante silêncio: Parece que houve muita alfarroba, pouco figo e que as azeitonas caíram pecas. Mas sobre o negócio da alfarroba, ninguém diz nada, nem os ciganos que andaram às escondidas no rabisco mas venderam e bem.